Biscuit descobre que fica lindo até de patinho feio, Pipi some de vista e acaba dentro da boca de um dragão, e Lelé precisa resgatar a matilha inteira — mais de uma vez — na Bienal do Livro de São Paulo 2026.
A Bienal do Livro deu aos dublês da Matilha um pouco de tudo: o Biscuit cresceu (e descobriu que fica ainda mais bonito grande), a Pipi foi explorar e acabou onde não devia, e a Lelé precisou contar os irmãos umas boas vezes para ter certeza de que ninguém tinha sumido. Escolha um dos peludos e leia como foi.

Um golden retriever enorme, dourado e muito fofo, que descobriu na Bienal uma nova especialidade: virar sofá, travesseiro e Área de Abraço Autorizada, tudo ao mesmo tempo.
Oi! Eu sou o Biscuit.
Preciso começar contando uma coisa muito importante que aconteceu na Bienal. EU CRESCI. Quer dizer... eu já sou grande. Bastante grande.
Mas dessa vez apareceu uma nova almofada minha. Sem roupa de astronauta. Só eu. Dourado. Sorridente. Peludo. E ENORME. Ela é ainda maior que o Biscuit astronauta! Fiquei olhando para as fotografias e pensei:
— Nossa.
Aí olhei mais um pouco.
— NOSSA.
A Lelé perguntou se eu tinha alguma coisa mais interessante para dizer. Tenho: EU SOU MUITO BONITO GRANDE.
As crianças também perceberam. Elas chegavam, olhavam para aquela minha carona enorme e… abraçavam. Abraçavam de novo. Sentavam comigo. Deitavam em mim. Apertavam minhas bochechas. Tiravam fotografias. Teve tanto carinho que comecei a achar que a função oficial do Biscuit na Bienal era ser Área de Abraço Autorizada.
Eu gostei desse cargo.
Mas então aconteceu uma coisa ainda mais importante. Durante o passeio pela Bienal, encontrei um livro conhecido. Era um livrinho de histórias. Abri. Olhei. E lá estava… The Ugly Duckling. O Patinho Feio.
Eu fiquei um pouco confuso. Olhei para o patinho. Olhei para mim. Olhei para o patinho de novo.
— Lelé?
— Oi, Biscuit.
— Por que eu não sou o pato desse livro?
Ela explicou que, no nosso livro de histórias, nós entramos nas histórias e ajudamos a contá-las do nosso jeito. Achei excelente. Só tenho uma pequena observação: eu de Patinho Feio no nosso livro de Estorinhas estou bastante mais bonito. Inclusive acho que o título poderia ser revisto. Talvez O Patinho Muito Bonito Que Por Acaso É um Golden Retriever.
Vou conversar com a editora. Que, no caso, é a mamãe.
Depois dessa descoberta, eu e a Pipi fomos explorar mais um pouquinho. Ela queria ir para um lado. Eu queria ir para o outro. Então fizemos o que qualquer dupla sensata faria: cada um insistiu que sabia o caminho.
A Pipi disse: — Biscuit, é por aqui!
Eu disse: — Não. É por AQUI.
Discutimos. Pensamos. Olhamos em volta. E descobrimos uma coisa. NÓS DOIS ESTÁVAMOS ERRADOS.
A Lelé tinha sumido. Ou… segundo a Lelé, nós é que tínhamos sumido. É uma questão de ponto de vista. Ficamos esperando e torcendo para ela perceber que dois irmãos estavam faltando.
Percebeu. Claro. A Lelé sempre percebe. E pouco depois estávamos os três juntos outra vez.
Foi então que aprendi uma coisa. Explorar é muito divertido. Você conhece lugares. Encontra histórias. Faz amigos. Descobre que pode ser um cachorro, um astronauta e aparentemente até um pato.
Ainda bem que temos a Lelé. Ela encontrou a gente. E eu prometi que da próxima vez vou prestar mais atenção. A Pipi também prometeu. Quer dizer… ela disse que a culpa foi minha. Mas acho que, no idioma da Pipi, isso significa quase a mesma coisa.
No fim, voltei da Bienal com muitos amigos novos, milhões de abraços e uma descoberta extraordinária: eu fico bonito até de pato. Até a próxima!
💙 Porque aprender pode brilhar.

Uma labradora amarela pequenininha, cuidadora oficial da vovó e exploradora nata — mesmo quando a exploração termina dentro da boca de um dragão.
Oi! Eu sou a Pipi.
Antes de contar o que aconteceu na Bienal, quero deixar uma coisa muito clara: A CULPA FOI DO BISCUIT.
Pronto. Agora podemos continuar.
Eu estava muito ocupada. Tinha criança querendo tirar foto. Tinha gente pedindo coroa. Tinha adesivo. Tinha marcador de página. Tinha um monte de novos amigos chegando. E, principalmente, tinha gente descobrindo uma coisa muito importante sobre mim: EU SOU CUIDADORA DA VOVÓ. 🩷
Quando contavam para as crianças que eu durmo com a vovó, faço companhia para ela e levo muito a sério meu trabalho de cuidar… elas me olhavam com aquela carinha. Vocês sabem. Aquela carinha de: “Aaaaaaaai, Pipi!”
Eu adorei. Claro. Sou cuidadora profissional. Aceito elogios.
Então fui passeando pela Bienal, tirando fotografias, conhecendo crianças e prestando atenção em tudo. Quer dizer… quase tudo. Porque em algum momento a Lelé foi para um lado. Eu fui para outro. E o Biscuit… bom. O Biscuit estava sendo o Biscuit.
Quando percebi, estávamos os dois sozinhos.
— Biscuit, cadê a Lelé?
— Não sei.
— Você não estava seguindo ela?
— Eu achei que você estava.
Gostaria que ficasse registrado que eu estava trabalhando. Portanto, como expliquei no começo: a culpa foi do Biscuit.
Felizmente a Lelé percebeu que tinha perdido dois irmãos. Ou que dois irmãos tinham perdido ela. O Biscuit diz que depende do ponto de vista. Não depende. E ela encontrou a gente. Problema resolvido.
Foi o que eu pensei. Porque pouco tempo depois aconteceu outra coisa. Eu estava passeando. Explorando. Olhando tudo. E… PAREI DENTRO DA BOCA DE UM DRAGÃO.
Eu também gostaria de saber como isso aconteceu. Tenho fotografias. Portanto, infelizmente, não posso negar. Uma hora eu estava conhecendo a Bienal. Na outra… DRAGÃO.
Olhei para cima. Dentes. Olhei para o lado. Mais dentes. Pensei: — Isso parece ruim.
E sabem quem apareceu? A Lelé. De novo. Ela chegou a tempo de me salvar. De novo. Acho que naquele momento ela deve ter pensado: “Eu não posso deixar essa menina sozinha por cinco minutos.” O que considero um exagero. Talvez tenham sido sete.
Mas sabem de uma coisa? Mesmo me perdendo. Mesmo quase sendo engolida por um dragão. Mesmo ouvindo a Lelé perguntar o que, exatamente, eu estava fazendo DENTRO DA BOCA DELE… eu AMEI passear pela Bienal.
Porque havia alguma coisa nova em todo lugar. Livros. Desenhos. Cores. Histórias. Pessoas. Crianças querendo conversar. Crianças querendo fotografias. Crianças que descobriram que eu cuido da vovó e ficaram felizes comigo. Eu queria olhar tudo ao mesmo tempo. Talvez esse tenha sido parte do problema.
Descobri que ser curiosa é maravilhoso. É a curiosidade que faz a gente perguntar, explorar e encontrar coisas que nunca tinha visto.
Até a próxima descoberta! E, Biscuit… continuo dizendo que a culpa foi sua.
Até a próxima descoberta! 🩷 Porque aprender pode brilhar.

Uma labradora preta muito inteligente, responsável e organizada — que, depois desta Bienal, também virou localizadora oficial de irmãos perdidos e resgatadora de Labradoras de dentro de dragões.
Oi. Eu sou a Lelé.
Irmã mais velha. Leitora. Responsável. Organizada. E, depois desta Bienal, acho que posso acrescentar mais algumas qualificações: localizadora de irmãos perdidos, resgatadora de Labradoras em perigo e especialista em fuga de sequestros por excesso de amor.
Eu trabalhei muito. Muito. MUITO.
Tudo começou quando percebi que estava faltando alguma coisa. Olhei para um lado. Olhei para o outro. Nada. Silêncio demais.
— Cadê a Pipi?
Nada.
— Cadê o Biscuit?
Nada.
TINHAM SUMIDO OS DOIS.
Eu conheço meus irmãos. Então comecei a procurar. Procura daqui. Procura dali. Até encontrar os dois juntos, olhando em volta com aquela expressão muito particular de quem não faz a menor ideia de onde está, mas ainda pretende discutir quem foi o culpado.
A Pipi disse: — Foi o Biscuit.
O Biscuit disse que os dois estavam errados.
Eu disse: — Para, gente! Um de cada vez… — E levei os dois comigo.
Pronto. Irmãos encontrados. Trabalho encerrado. Foi o que eu pensei.
Algum tempo depois… — CADÊ A PIPI?
De novo. Fui procurar. E encontrei minha irmãzinha… DENTRO DA BOCA DE UM DRAGÃO.
Parei. Olhei. Pensei. Procurei em todos os meus conhecimentos alguma explicação razoável para uma Labrador amarela estar DENTRO DA BOCA DE UM DRAGÃO EM UMA BIENAL DO LIVRO. Não encontrei.
— Pietra.
— Oi, Lelé.
— O que você está fazendo aí?
Ela também não sabia. Claro que não sabia. Então lá fui eu salvar a Pipi. DE UM DRAGÃO.
Gostaria de lembrar que eu fui à Bienal para encontrar crianças e falar sobre livros. Mas tudo bem. Sou irmã mais velha. Tenho treinamento.
Depois disso, achei que finalmente poderia relaxar. Me enganei. Porque dessa vez… o problema era EU. Uma nova amiga gostou tanto de mim, mas TANTO de mim, que aparentemente decidiu que eu poderia ir embora com ela. Eu entendo. Sou adorável. Mas já tenho família. Foi necessária a intervenção da tia Nice para evitar o que eu chamaria de: Operação Leve a Lelé Para Casa. Fui resgatada. Finalmente.
No fim do dia, fiz as contas. Encontrei dois irmãos perdidos. Salvei uma irmã de um dragão. Escapei de um possível sequestro causado por amor. E ainda consegui conhecer crianças, tirar fotografias, passear pela Bienal e ver um monte de gente feliz com os nossos livros. Nada mal.
Ser irmã mais velha é um trabalho curioso. Às vezes você ensina. Às vezes você explica. Às vezes você espera. Às vezes você vai buscar. E, aparentemente, às vezes você precisa retirar sua irmã da boca de um dragão.
Mas tudo bem. Eu já sou ALTAMENTE TREINADA EM SALVAMENTO DE PANAQUINHAS. Até a próxima! E, por favor: ninguém entre em dragões até lá.
💜 Porque aprender pode brilhar.
Mais um registro das confusões (e descobertas) da Matilha na Bienal. 🚀
Conheça os livros bilíngues e trilíngues de Allegra, Pietra e Biscuit e leve as aventuras da Matilha para a sua casa.