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Ninguém deveria se sentir sozinho

Lelé conta que estão criando robôs para fazer companhia a pessoas idosas, Pipi tem certeza de que querem roubar o cargo dela de Cuidadora da Vovó e Biscuit só quer saber de uma coisa: o robô pode ser amigo dele?

🩷 3 dicas da matilha ✦ 8 min de leitura 🤖 Robôs de companhia
Lelé, Pipi e Biscuit conhecendo um robô que faz companhia para pessoas idosas

Na China, estão desenvolvendo robôs para ajudar a cuidar e fazer companhia a pessoas idosas. A notícia chegou à Matilha e cada peludo reagiu do seu jeito: a Lelé ficou pensando em companhia, a Pipi achou que estavam roubando o trabalho dela e o Biscuit já quer fazer um amigo novo. Escolha um dos peludos e leia o que ele tem a dizer.

Lelé (Allegra)

💜 Dicas da Lelé

Ninguém deveria se sentir sozinho

Uma labradora preta muito inteligente, responsável e organizada — que passou muitos anos ao lado da família e sabe que estar junto também é uma forma de cuidar.

Oi. Eu sou a Lelé. E hoje quero conversar sobre uma coisa que não tem nada a ver com planetas, tubarões perdidos ou irmãos que entram na boca de dragões.

Tem a ver com companhia.

Outro dia descobrimos que, na China, estão desenvolvendo robôs para ajudar a cuidar e fazer companhia a pessoas idosas. Tem robô grandão, quase do tamanho de uma pessoa. Tem robozinho pequeno que cabe em cima de uma mesa. Alguns conseguem conversar, responder, reconhecer vozes e reagir quando alguém fala ou toca neles.

A ideia é que eles possam ajudar pessoas que passam muito tempo sozinhas, lembrar algumas tarefas, conversar e oferecer um pouco de companhia.

Achei interessante. A Pipi também achou. Mas por outro motivo.

— Espera. Eles ficam com a vovó?
— Podem ficar com pessoas idosas, Pipi.
— Fazem companhia?
— Fazem.
— Conversam?
— Sim.
— Ficam por perto para ajudar?
— Essa é a ideia.

Ela ficou em silêncio. Depois anunciou:
— ESTÃO INVENTANDO UMA PIPI DE METAL.

Não exatamente. Mas deixei para explicar depois.

A tecnologia pode fazer coisas incríveis.

E talvez esses robôs consigam ajudar muitas pessoas.

Mas fiquei pensando numa coisa que nenhum robô precisa nos ensinar: todo mundo precisa de companhia.

Não só quando fica velhinho, ou quando está doente ou triste.

Todos nós precisamos sentir que existe alguém que percebe quando chegamos.

Alguém que pergunta: — Como foi seu dia?
E espera para ouvir a resposta.

Alguém que senta perto, que conversa. Que escuta uma história, que ri junto. Que lembra da gente.

Às vezes esse alguém é um amigo.
Às vezes é a nossa família.
Às vezes é uma pessoa que cuida da gente.
E, muitas vezes, esse alguém tem quatro patas.

Eu sei bastante sobre isso. Passei muitos anos ao lado da minha família.

Nem sempre era preciso fazer alguma coisa extraordinária. Às vezes eu só ficava debaixo da mesa enquanto todo mundo conversava. Ou deitava por perto. Ou acompanhava alguém pela casa.

Parecia pouca coisa, mas hoje eu sei que não era.

Estar junto também é uma forma de cuidar.

Um cachorro não precisa saber resolver o seu problema para fazer você se sentir melhor. Ele não precisa encontrar a palavra certa. Às vezes ele simplesmente encosta em você, e fica.

E aquele silêncio deixa de parecer tão vazio.

Mas existe outra coisa importante.

Não precisamos esperar aparecer um robô, um cachorro ou alguma invenção extraordinária para combater a solidão.

Nós também podemos fazer isso. Podemos conversar com nossos avós, visitar alguém, telefonar.

Convidar uma pessoa para brincar. Sentar perto de quem parece estar sozinho, perguntar como alguém está.

Escutar de verdade.

💜 Lição da Lelé Porque ser amigo não é só encontrar pessoas que façam companhia para nós.

É aprender a fazer companhia para os outros também.

Talvez no futuro existam robôs incríveis em muitas casas. Espero que existam. Se eles puderem ajudar alguém a se sentir mais seguro, acompanhado e cuidado, já estarão fazendo um trabalho importante.

Mas espero que exista outra coisa nessas casas também: gente que aparece. Amigos. Família. Profissionais que cuidam. Vizinhos que lembram. E, sempre que for possível… um peludinho por perto.

Porque tecnologia pode ajudar a cuidar. Mas nós também podemos. Às vezes com uma grande ideia. Às vezes com um abraço. E às vezes apenas dizendo:
“Eu estou aqui.”

Isso já pode significar um mundo inteiro para alguém.

💜 Porque aprender pode brilhar.

Pipi (Pietra)

🩷 Dicas da Pipi

ESTÃO ROUBANDO O MEU TRABALHO!

Uma labradora amarela pequenininha, Cuidadora da Vovó com boné oficial e especialista em lambeijinhos — função que nenhum robô vai tirar dela.

Oi. Eu sou a Pipi.

E hoje descobri uma coisa GRAVÍSSIMA. Estão inventando robôs para fazer companhia e ajudar a cuidar de pessoas idosas.

Parei tudo. — Como assim?

A Lelé explicou: — Eles podem conversar, fazer companhia e ajudar em algumas tarefas.

— Conversar?
— Sim.
— Ficar pertinho?
— Sim.
— Ajudar a cuidar?
— Sim.
— De pessoas idosas?
— Sim.

Respirei fundo. ESTÃO ROUBANDO O MEU TRABALHO.

Eu gostaria de lembrar que sou uma profissional experiente.

Meu cargo é: CUIDADORA DA VOVÓ.

Inclusive tenho boné.

Isso significa que é oficial. Minhas funções incluem acompanhar a vovó, ficar pertinho dela, dormir com ela, observar tudo, fazer companhia e distribuir lambeijinhos sempre que necessário.

Robô dá lambeijinho? Gostaria de saber. Porque isso deveria contar pontos na seleção.

A Lelé disse que eu estava entendendo tudo errado.

— Pipi, ninguém está tentando substituir você.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Você investigou?
— Pietra…
— Só estou perguntando.

Então ela me explicou melhor. Esses robôs estão sendo desenvolvidos para ajudar. Algumas pessoas idosas passam bastante tempo sozinhas. Outras podem precisar de ajuda durante o dia. E um robô pode conversar, interagir e fazer algumas coisas que tornem a rotina mais fácil e menos solitária.

Pensei. — Então ele pode trabalhar comigo?
— Exatamente.

Isso mudou bastante a situação. Porque eu sei uma coisa sobre cuidar da vovó: quanto mais carinho, melhor. Se tem gente cuidando, ótimo. Se tem profissionais ajudando, ótimo.

Se a família está por perto, ótimo. Se um robô também puder ajudar, ótimo. E se tiver uma Labrador amarela especializada em ficar colada na vovó... MELHOR AINDA.

Comecei a achar que talvez o robô pudesse entrar para a equipe. Só precisamos dividir as funções. Ele pode lembrar coisas. Pode conversar e ajudar quando alguém precisar.

Eu fico responsável pelos lambeijinhos. Parece justo.

Mas fiquei pensando numa coisa. Às vezes a gente acha que precisa fazer alguma coisa enorme para cuidar de alguém. E não precisa. Eu não sei fazer comida, não sei dirigir, não sei usar telefone, não sei dar remédio sozinha. Na verdade, pensando bem, minhas qualificações técnicas são bastante limitadas.

Mas eu sei perceber quando alguém precisa de companhia.

Se a vovó está quietinha, eu fico perto. Se ela vai descansar, eu vou junto. Se está na cama, existe uma grande possibilidade de eu estar lá também.

Não faço isso porque alguém mandou. Faço porque ela é a minha vovó.

🩷 Descoberta da Pipi Talvez essa seja uma das coisas mais importantes sobre ser amigo de alguém. Você começa a aprender os pequenos jeitos daquela pessoa.

Quando ela quer conversar, quando quer descansar, quando precisa de ajuda… E quando só quer alguém ali.

Então decidi que não estou mais preocupada com os robôs.

Na verdade, quero conhecer um. Tenho muitas perguntas. Ele dorme? Sonha? Gosta de carinho? Pode usar boné? Tem vovó? E, principalmente: ELE SABE QUE O MEU LUGAR NA CAMA JÁ ESTÁ OCUPADO?

Porque podemos dividir o trabalho. Podemos dividir as tarefas.

Podemos dividir os cuidados.

Mas algumas coisas precisam ficar muito claras desde o começo: O turno da noite com a vovó é MEU.

Bem-vindo à equipe, robô. Depois conversamos sobre seu uniforme.

🩷 Porque aprender pode brilhar.

Biscuit

💙 Dicas do Biscuit

EU TENHO UM AMIGO ROBÔ!

Um golden retriever enorme, dourado e muito fofo, que acha que todo mundo pode ser amigo dele — inclusive quem tem parafusos.

Oi! Eu sou o Biscuit.

Hoje a Lelé contou que estão criando robôs para fazer companhia às pessoas.

Eu ouvi: ROBÔ.
Depois ouvi: COMPANHIA.
E pensei: QUERO CONHECER.

A Pipi teve uma reação um pouco diferente. Ela achou que os robôs estavam tentando roubar o emprego dela de Cuidadora da Vó.

Eu não pensei nisso. Na verdade, pensei: — Ele gosta de cachorro?
A Lelé disse que não sabia.
— Ele faz carinho?
Também não sabia.
— Ele brinca?
Não sabia.
— Ele pode ser meu amigo?

A Lelé respirou fundo. — Biscuit, você acha que TODO MUNDO pode ser seu amigo.

Sim. Esse é exatamente o meu ponto. Eu gosto de amigos.

Gosto dos amigos que conheço há muito tempo, gosto dos amigos que acabei de conhecer.

Gosto de crianças, de adultos, de gente que fala comigo, de gente que faz carinho. Gosto até de gente que simplesmente olha para mim por tempo suficiente para eu entender: essa pessoa claramente quer ser minha amiga.

Então não vejo nenhum motivo para excluir um robô. Inclusive achei um pouco injusto decidir que ele não pode ser nosso amigo só porque tem parafusos. Eu também tenho coisas estranhas. Tenho pelos entre os dedos. Ninguém reclama.

A Lelé explicou que alguns desses robôs estão sendo desenvolvidos para conversar e fazer companhia, especialmente para pessoas que podem passar muito tempo sozinhas.

Aí parei de brincar por um instante. Porque essa parte eu entendo. Eu não gosto de ficar sozinho. Gosto de saber que tem alguém por perto.

Nem precisa falar comigo o tempo inteiro. Pode ler, assistir televisão, trabalhar, dormir. Eu só gosto de… estar junto.

Se alguém está sentado no sofá, eu posso sentar perto. Se alguém está triste, eu posso encostar. Se alguém está sozinho, eu posso ficar ali.

💙 Recado do Biscuit Às vezes acho que as pessoas pensam que precisam encontrar uma frase maravilhosa quando alguém está triste. Eu não sei nenhuma frase maravilhosa. Na verdade, eu nem sei falar.

Mas sei colocar minha cabeça no colo de alguém, deitar bem pertinho. Sei esperar. Sei ficar. E às vezes isso ajuda.

Então comecei a gostar ainda mais da ideia do robô. Talvez ele também possa simplesmente ficar. Talvez converse quando alguém quiser conversar. Talvez escute. Talvez faça companhia enquanto a família não consegue chegar.

E depois, quando todo mundo estiver junto novamente… melhor ainda. Porque amizade, pelo que eu entendo, não tem número máximo de participantes.

Perguntei: — E se existir cachorro-robô?
A Lelé disse que existe.
— COMO ASSIM VOCÊS GUARDARAM ESSA INFORMAÇÃO ATÉ AGORA?

Quero conhecer imediatamente. Preciso cheirar.

A Lelé disse que talvez isso não seja necessário.

Discordamos. Também quero mostrar meus brinquedos. Apresentar meu lugar de dormir. Ensinar como pedir carinho. E explicar uma regra importante: se alguém derrubar comida no chão… Bom. Pensando melhor, essa parte eu ensino depois.

A Pipi disse que aceita dividir o trabalho dela com um robô, desde que ninguém ocupe o lugar dela na cama da vovó.

Eu aceito dividir tudo. Carinho. Sofá. Amigos. Brinquedos.

Comida eu preciso pensar.

Mas amigos? Quanto mais, melhor.

Então, se um dia aparecer um robô aqui em casa, não precisa ficar preocupado. Pode ser grande, pequeno, humanoide, cachorro, cheio de luzinhas. Pode até fazer uns barulhos esquisitos. Eu vou chegar perto, olhar para ele e fazer o que sempre faço quando conheço alguém novo: “Oi. Quer ser meu amigo?”

Na verdade… se ele olhar para mim primeiro, já somos.

💙 Porque aprender pode brilhar.

Atividades da Matilha

Três atividades da Matilha inspiradas nos robôs que fazem companhia para baixar, imprimir e brincar. 🤖

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